Arquivo do mês: junho 2009

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MAPA DA POPULAÇÃO NEGRA NO MERCADO DE TRABALHO

(Resenha realizada pelo DIEESE) Os resultados da pesquisa “Mapa da População Negra no Mercado de Trabalho” realizada pelo DIEESE para o INSPIR- Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial demonstram uma situação de reiterada desigualdade para os trabalhadores negros, de ambos os sexos, no mercado de trabalho das seis regiões metropolitanas estudadas. A coerência dos resultados em nível nacional revela que a discriminação racial é um fato cotidiano, interferindo em todos os espaços do mercado de trabalho brasileiro. Nenhum outro fato, que não a utilização de critérios discriminatórios baseados na cor dos indivíduos, pode explicar os indicadores sistematicamente desfavoráveis aos trabalhadores negros, seja qual for o aspecto considerado. Mais ainda, os resultados permitem concluir que a discriminação racial sobrepõe-se à discriminação por sexo, combinando-se a esta para constituir o cenário de aguda dificuldade em que vivem as mulheres negras, atingidas por ambas. As desigualdades no mercado de trabalho entre negros e não-negros

A comparação das taxas de desemprego nas diferentes regiões mostra que, em Salvador, a taxa de desemprego entre os negros é 45% maior que entre os não-negros, apresentando cerca de 8 pontos percentuais de diferença (25,7% entre os negros e 17,7% entre os não-negros). Em São Paulo, ocorre fenômeno semelhante, com uma distância de 40% entre as taxas de desemprego entre as duas raças. Ainda que em proporções elevadas, os menores diferenciais ocorrem no Distrito Federal e em Recife. No total das regiões, 50% dos desempregados são negros, o que corresponde a 1.479.000 pessoas, em 1998. Em Salvador, os negros são 86,4% dos desempregados e, em Recife e no Distrito Federal, cerca de 68%. Já em Porto Alegre, representam 15,4% do total de desempregados. Em São Paulo os negros desempregados são 650 mil pessoas e representam 40% dos desempregados desta região metropolitana.

Tabela 1 – Taxas de Desemprego segundo Raça
Brasil – Regiões Metropolitanas 1998 (em %)
Regiões Metropolitanas Taxas de desemprego Diferença entre as taxas de negros e não-negros
Negros Não-negros
São Paulo 22,7 16,1 41%
Salvador 25,7 17,7 45%
Recife 23,0 19,1 20%
Distrito Federal 20,5 17,5 17%
Belo Horizonte 17,8 13,8 29%
Porto Alegre 20,6 15,2 35%

Fonte: DIEESE/SEADE e entidades regionais. PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego
Elaboração: DIEESE Obs.: Raça negra: pretos e pardos; raça não-negra: brancos e amarelos Nas regiões metropolitanas de São Paulo, Salvador e Porto Alegre, a cor discrimina mais no desemprego que o sexo do trabalhador, ou seja, as taxas de desemprego são maiores entre os homens e mulheres negros que entre as mulheres não-negras. O mesmo efeito discriminatório da cor se verifica na comparação entre as taxas de desemprego entre os homens negros e os não-negros. As maiores diferenças nestas taxas encontram-se em Salvador, onde o desemprego entre os homens negros é 57,9% maior que entre os homens não-negros, e em São Paulo, onde esta diferença é de 51,4%. Em todas as regiões, as mulheres negras apresentam as maiores taxas de desemprego. No entanto, as diferenças destas taxas entre as mulheres negras e não-negras são consideravelmente menores do que entre os homens, variando do maior patamar, 36,0% de diferença em Salvador, até o menor (6,7%), no Distrito Federal.

Tabela 2 – Taxas de Desemprego por Sexo segundo Raça
Brasil – Regiões Metropolitanas 1998 (em %)
Regiões Metropolitanas Negros Não-negros Diferença entre as taxas
Mulheres Homens Mulheres Homens Mulheres negras e mulheres não-negras Homens negros e homens não-negros
São Paulo 25,0 20,9 19,2 13,8 19,6% 51,4%
Salvador 27,6 24,0 20,3 15,2 36,0% 57,9%
Recife 26,3 20,5 22,6 16,2 16,4% 26,6%
Distrito Federal 22,4 18,9 21,0 14,2 6,7% 33,1%
Belo Horizonte 20,5 15,8 16,8 11,5 22,0% 37,4%
Porto Alegre 22,7 19,2 18,1 13,1 25,4% 46,6%

Fonte: DIEESE/SEADE e entidades regionais. PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego
Elaboração: DIEESE Obs.: Raça negra: pretos e pardos; raça não-negra: brancos e amarelos O rendimento é o indicador fundamental em relação à qualidade de vida e trabalho. Este parâmetro define, por si, a situação social de um indivíduo ou um grupo e seus diferenciais indicam, de forma concreta, como a riqueza se distribui em uma sociedade. Os rendimentos dos trabalhadores e trabalhadoras negros são sistematicamente inferiores aos rendimentos dos não-negros, quaisquer que sejam as situações ou os atributos considerados. Expressam o conjunto de fatores que reúne desde a entrada precoce no mercado de trabalho, a maior inserção da população negra nos setores menos dinâmicos da economia, a elevada participação em postos de trabalho precários e em atividades não-qualificadas e as dificuldades que cercam as mulheres negras no trabalho. São o indicador, por excelência, dos resultados da combinação da pobreza, da desigualdade e da discriminação na constituição da sociedade brasileira. Em primeiro lugar, é necessário considerar que os patamares de rendimentos da população em geral são baixos. Mas, a desigualdade que caracteriza a situação dos negros mostra-se com bastante clareza quando comparados os rendimentos entre as duas raças, pois os dos negros são, em média, cerca de 60% dos auferidos pelos não-negros. Tomando como base os homens não-negros, que estão no topo da escala de rendimentos, as diferenças são bastante acentuadas não apenas no que se refere aos homens, mas especialmente às mulheres negras, que apresentam os níveis mais baixos de rendimentos em todas as situações.

Tabela 3 – Rendimento Médio Mensal dos Ocupados por Sexo segundo Raça
Brasil – Regiões Metropolitanas 1998 (em reais de dezembro de 1998)
Regiões Metropolitanas Negros Não-negros
Total Mulheres Homens Total Mulheres Homens
São Paulo 512 399 601 1.005 750 1.188
Salvador 403 297 498 859 647 1.051
Recife 363 272 427 619 462 739
Distrito Federal 765 614 898 1.122 923 1.306
Belo Horizonte 444 319 670 735 548 883
Porto Alegre 409 334 472 628 504 715

Fonte: DIEESE/SEADE e entidades regionais. PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego
Elaboração: DIEESE Obs.: Raça negra: pretos e pardos; raça não-negra: brancos e amarelos As condições atuais do mercado de trabalho brasileiro e todas as questões que afetam as possibilidades de ingresso, permanência e crescimento profissional da população negra conjugam-se assim, para compor o quadro de extrema gravidade que caracteriza sua inserção no mercado de trabalho, como demonstram os indicadores selecionados apresentados a seguir.

Tabela 4- Principais Indicadores da Inserção dos Negros no Mercado de Trabalho
Brasil – Regiões Metropolitanas 1998
Indicadores São Paulo Salvador Recife Distrito Federal Belo Horizonte Porto Alegre
Taxas de Participação 63,2% 60,8% 54,2% 62,6% 58,5% 56,0%
Taxas de Desemprego 22,7% 25,7% 23,0% 20,5% 17,8% 20,6%
Ocupados em Situações Vulneráveis (1) 42,4% 46,2% 44,7% 35,4% 40,3% 38,2%
Ocupados em Postos de Trabalho Não Qualificados (2) 28,6% 25,6% 24,2% 25,2% 27,00% 30,6%
Rendimento Médio Mensal dos Ocupados R$ 512,00 R$403,00 R$ 363,00 R$ 776,00 R$ 444,00 R$ 409,00
Salário por Hora R$ 2,94 R$ 2,88 R$ 2,46 R$ 5,06 R$ 2,88 R$ 2,43
Assalariados com Jornada Superior à Legal 45,3% 41,7% 50,0% 28,00% 43,5% 38,9%

Fonte: DIEESE/SEADE e entidades regionais. PED – Pesquisa de Emprego e Desemprego
Elaboração: DIEESE Notas: (1)Inclui os assalariados sem carteira de trabalho assinada, os autônomos que trabalham para o público, os trabalhadores familiares não remunerados e os empregados domésticos
(2) Inclui as atividades não qualificadas do grupo de ocupação da execução e as atividades de serviços gerais no grupo de ocupação de apoio Obs.: Raça negra: pretos e pardos; raça não-negra: brancos e amarelos A situação apresentada por estes dados revela um aspecto crucial da desigualdade social no Brasil: ela resulta não apenas sobre a injusta distribuição da riqueza gerada e de políticas econômicas que beneficiam grupos privilegiados desta sociedade, em detrimento dos trabalhadores. Está calcada também sobre diferenciações e comportamentos discriminatórios disseminados por todo o país. A justiça social, a igualdade de oportunidades, a cidadania plena, enfim, as condições que ofereçam a todos uma igual distribuição das possibilidades de obter seu sustento e a plena realização de suas capacidades passam, necessariamente, pela construção da igualdade racial no Brasil.

Textos sobre cotas

Já estão disponíveis os textos que fazem parte do debate sobre cotas para afrodescendentes no Brasil, é só clicar aqui

Quem era Marighella?

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Alienação e Trabalho

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Herança Cultural Africana

A cultura africana é marcada pela exuberância das cores, das formas, das expressões, do temperamento forte e expansivo.

MATRIZES CULTURAIS AFRICANAS
África Ocidental:  Yorubas (Nagô, Ketu, Egbá), Gegês (Ewê, Fon), Fanti-Ashanti (conhecidos como Mina), povos islamizados (Peuhls, Mandingas e Haussas ou Hausas);
África Central: povos Bantos: Bakongo, Mbundo, Ovimbundo, Bawoyo, Wili (conhecidos como Congos, Angolas, Benguelas, Cabindas e Loangos);
Sudeste da África Oriental: Tongas e Changanas entre outros (conhecidos como Moçambiques).

AS CORES E AS ESTAMPAS COLORIDAS
É característica da tecelagem africana, em todas as suas culturas: caboverdiana, nigeriana, angolana, etc, as cores vívidas e padrões de tecido multicoloridos.   Os desenhos variam de cultura para cultura dentro da África.

ARTE
A África Tropical destaca-se pelos seus produtos artísticos, que são as máscaras e esculturas em madeira. Objetos com formas angulosas, assimétricas e distorcidas. Para seus criadores eram objetos sagrados que continham a força vital de um espírito ancestral ou da natureza. Os exemplares expressam a dimensão emocional intensa da sociedade onde foram criados.
Pablo Picasso, lá pelos anos de 1905, conheceu a arte africana que inspirou o movimento cubista.
A arte africana é extremamente rica pela variedade cultural.  Cada nação, tribo, país africano tem sua arte própria.

MÚSICA  
As práticas musicais não podem ser dissociadas do contexto cultural. Cada  cultura possui seus próprios tipos de música totalmente diferentes em seus estilos, abordagens e concepções do que é a música e do papel que ela deve exercer na sociedade. Entre as diferenças estão à maior propensão ao humano ou ao sagrado, a música funcional em oposição à música como arte, a concepção teatral do Concerto contra a participação festiva da música folclórica e muitas outras.

Na África, existem, as seguintes regiões de estilos musicais: Sudão ocidental, Bantu equatorial, Caçadores/recolectores africanos, Bantu do sul, Bantu do centro, Bantu do norte, Sudão oriental, Costa da Guiné, Afro-americano, Sudão muçulmano, Etíope, Alto Nilo e Madagascar. A inclusão de uma região Afro-americana significa que a cultura africana abrange a diáspora africana. As culturas musicais da costa da Guiné (Yoruba e Fon, por exemplo), da região do Congo/Angola e com menor expressão do sudeste africano têm extensões em várias partes do novo mundo. Só recentemente foi possível estabelecer com precisão a ligação de determinados elementos estilísticos de vários tipos de música afro-americana com regiões estilísticas localizadas na África.
A colonização islâmica teve como resultado a islamização da música africana em muitas regiões da África .
Alguns nomes de instrumentos de origem africana: Agogô, Afoxé, Apito , Berimbau , Caixa ,Caxixi ,Chocalho, Cuíca , Ganzá , Pandeiro , Reco-reco , Repinique ,Surdo , Tambor , Tamborim ,Triângulo ,Xequerê, Zabumba.

LÍNGUA

O português é africanizado principalmente por conta da influência das línguas de origem bantu (ou banto) – região da qual foi retirada, à força, a maior parte dos negros escravizados que para cá foram trazidos nos primeiros séculos da Colônia. Diferente, portanto, da difundida idéia que entende o iorubá como “a” língua africana.
1. Palavras africanas que foram apropriadas pela língua portuguesa em diversas áreas culturais, conservando a forma e o significado originais:
a) Simples: samba, xingar, muamba, tanga, sunga, jiló, maxixe, candomblé, umbanda, berimbau, maracutaia, forró, capanga, banguela, mangar, cachaça, cachimbo, fubá, gogó, agogô, mocotó, cuíca.
b) Compostos: lenga-lenga, Ganga Zumba, Axé Opo Afonjá.
2. Palavras do português que tomaram um sentido especial:
a) por tradução direta de uma palavra africana, mãe-de-santo (ialorixá), dois-dois (ibêji), despacho (ebó), terreiro (casa de candomblé);
b) em substituição a uma palavra africana considerada como tabu, a exemplo de “O Velho”, por Omulu, e “flor do Velho”, por pipoca.
3. Palavras compostas de um elemento africano e um ou mais elementos do português: bunda-mole, espada-de-ogum, limo-da-costa, pó-de-pemba, Cemitério da Cacuia, cafundó de Judas.
Nessa categoria estão os derivados nominais em português, a exemplo de molecote, molecagem, xodozento, cachimbada, descachimbada, forrozeiro, sambista, encafifado, capangada, caçulinha, dengoso, bagunceiro.

Karl Marx

KarlegoO trabalhador é tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais cresce sua produção em potência e em volume. O trabalhador converte-se numa mercadoria tanto mais barata quanto mais mercadorias produz. A desvalorização do mundo humano cresce na razão direta da valorização do mundo das coisas. O trabalho não apenas produz mercadorias, produz também a si mesmo e ao operário como mercadoria, e justamente na proporção em que produz mercadorias em geral.
Karl Marx

As formulações teóricas de Karl Marx acerca da vida social, especialmente a análise que faz da sociedade capitalista e de sua superação, provocaram desde o princípio tamanho impacto nos meios intelectuais que, para alguns, grande parte da sociologia ocidental tem sido uma tentativa incessante de corroborar ou de negar as questões por ele levantadas. 

Mas a relevância prática de sua obra não foi menor, servindo de inspiração àqueles envolvidos diretamente com a ação política. Herdeiro do ideário iluminista, Marx acreditava que a razão era não só um instrumento de apreensão da realidade mas, também, de construção de uma sociedade mais justa, capaz de possibilitar a realização de todo o potencial de perfectibilidade existente nos seres humanos. As experiências do desenvolvimento tecnológico e as revoluções políticas, que tornaram o Setecentos uma época única, inspiraram sua crença no progresso em direção a um reino de liberdade. 

Marx acredita que a tendência do modo capitalista de produção é separar cada vez mais o trabalho e os meios de produção, concentrando e transformando estes últimos em capital e àquele em trabalho assalariado e, com isso, eliminar as demais divisões intermediárias das classes. Não obstante, as sociedades comportam também critérios e modos de apropriação e de estabelecimento de privilégios que geram ou mantêm outras divisões e classes além daquelas cujas relações são as que, em definitivo, modelam a produção e a formação socioeconômica. O estabelecimento de novas relações sociais de produção com a organização jurídica e política correspondente e, com elas, de novas classes, quase nunca representa uma completa extinção dos modos de produção anteriores, cujos traços às vezes só gradualmente vão desaparecendo. 

A crítica feita pelo marxismo à propriedade privada dos meios de produção da vida humana dirige-se, antes de tudo, às suas conseqüências: a exploração da classe de produtores não-possuidores por parte de uma classe de proprietários, a limitação à liberdade e às potencialidades dos primeiros e a desumanização de que ambos são vítimas. Mas o domínio dos possuidores dos meios de produção não se restringe à esfera produtiva: a classe que detém o poder material numa dada sociedade é também a potência política e espiritual dominante. 

Ao mesmo tempo que cresce essa “massa” da humanidade absolutamente despossuída aumenta também sua concentração em grandes centros industriais, sua capacidade de organização e de luta e a consciência de sua situação social. É ao proletariado que Marx e Engels atribuem o papel de agente transformador da sociedade capitalista.