Arquivo do mês: abril 2009

Breve História do 1º de Maio

1° de maio

CHICAGO, ESTADOS UNIDOS, 1886. ERA 1º MAIO. MILHARES TRABALHADORES ESTAVAM NAS RUAS.

As condições de trabalho, os baixos salários e a exploração do trabalho infantil e feminino nas fábricas estadunidense, em meados do século XIX, repetiam o modelo de organização e exploração do trabalho na Europa, sobretudo da Inglaterra. A repressão violenta pela polícia era o meio mais freqüente encontrado e utilizado pelos patrões donos das fábricas, contra os protestos e greves. Nada de diálogo frente às reivindicações, estas nem eram ouvidas, nem negociadas. A jornada de trabalho chegava a doze, quatorze horas por dia. Como os salários eram péssimos, e não davam para as despesas cotidianas, as crianças, filhos dos trabalhadores eram encaminhadas aos 7, 8 ou 9 anos de idade para o trabalho duro, se submetendo as mesmas condições e jornadas dos trabalhadores adultos. Nessa época, as primeiras organizações operárias passaram a reivindicar a redução da jornada para oito horas diárias, e quatro aos domingos e o fim do trabalho infantil. Os patrões irredutíveis só se dispunham a discutir a reivindicação se os trabalhadores aceitassem a redução da metade do salário. Em 1885, é criada a federação dos sindicatos e, sua primeira resolução é organizar uma Greve Geral em todo o país no dia 1º de maio do ano seguinte-1886. No dia marcado a paralisação transcorre normalmente. Em Chicago, 350 mil operários das fábricas cruzaram os braços. No dia seguinte, a polícia entra em choque com os grevistas, assassinando nove operários, numa cidadezinha próxima de Chicago. Dia 3, mais quatro grevistas são mortos. Em resposta, é convocado, para o outro dia, quatro de maio, um grande ato público, que ocorre na Praça do Mercado de Feno no centro de Chicago. Às 16h o último orador, Samuel Fielden, iniciava seu discurso, quando o chefe da polícia exigiu que ele descesse do palanque. Em meio à confusão, uma bomba explode, a polícia abriu fogo, assassinando outros oitenta operários. io, um grande ato publico 8 ou 9 anos de idade para o trabalho duro, se submetendo as mesm

A REPRESSÃO CONTINUOU: PRISÕES E MORTES

A policia de Chicago iniciou imediatamente a caça aos líderes d a greve. Augusto Spies, Albert Pratson, Adolph Fisher, George Engal, Luis Lingg, Miguel Schuwab, Oscar, Neebe e Samuel Fielden são presos. Em 1887 cinco deles são condenados à morte, os outros três à prisão perpétua. No dia 11 de novembro quatro são enforcados, o quinto morre ainda na prisão.

DIA INTERNACIONAL DO TRABALHO

Dois anos mais tarde- 1889, a Segunda Internacional decide proclamar o 1º de Maio com dia do trabalhador. A partir daquele ano, este dia é marcado por manifestações por todo o mundo, se tornando um dia de luta.

NO BRASIL

No Brasil as atividades só irão acontecer após a primeira década do século XX, quando se iniciava a formação da classe operária, repetindo as mesmas condições precárias dos trabalhadores americanos e europeus do século XlX. Há registro de indústrias têxtil, totalmente adaptadas para o trabalho infantil, como o cotonifício Maria Ângela do grupo Matarazzo.As jornadas diárias passavam de doze horas. Com muita luta ao longo do século passado, consegui-se a proibição do trabalho infantil, assim como a redução da jornada, não faltando mortes pela repressão também no Brasil.

Operário em Construção II

img2A situação de alienação pela qual passamos nós trabalhadores faz com que  o produto do nosso trabalho se torne algo estranho e independente daquele que é o seu autor, transformando-se em algo distante e em certas ocasiões até com vida própria (coisa que seria impossível sem o trabalho humano). A propriedade privada (isto é, a aquisição de qualquer coisa por uma determinada pessoa) é resultado do trabalho de uma pessoa e ao mesmo tempo o meio de alienação do trabalhador. “De fato, como podia / Um operário em construção / Compreender por que um tijolo / Valia mais do que um pão? / Tijolos ele empilhava / Com pá, cimento e esquadria / Quanto ao pão, ele o comia… / Mas fosse comer tijolo!”. O trabalhador se distancia daquilo que é resultado do seu esforço, não se dando conta de que aquilo que ele faz é parte dele mesmo. O fim dessa alienação começa, quando o operário começa a tomar consciência: quando acordou foi tomado “de uma súbita emoção” ao constatar que era ele que fazia todas as coisas: garrafa, prato, facão, “gamela/ banco, enxerga, caldeirão,/ vidro, parede, janela,/ casa, cidade, nação”. Não apenas os objetos de uso cotidiano, como roupas, alimentos, casa, mas também instituições (cidade, nação), e o próprio operário, resultam do trabalho (uma coisa muito lógica, mas até então imperceptível aos olhos daquele operário). “Foi dentro dessa compreensão / Desse instante solitário / Que, tal sua construção / Cresceu também o operário / Cresceu em alto e profundo / Em largo e no coração / E como tudo que cresce / Ele não cresceu em vão / Pois alem do que sabia / – Exercer a profissão – / O operário adquiriu / Uma nova dimensão: / A dimensão da poesia.” E nesse momento ele passa do estado de alienação começa o seu processo de conscientização. A consciência do operário sai dos limites do real, do presente e atravessa os limites das possibilidades.

Operário volume I

Em construção“O operário em construção” de Vinícius de Moraes escrito há mais de 50 anos, relata o trabalho de um sujeito (no caso um operário da construção civil) como base da vida humana; ele descreve o processo de conscientização de um operário, partindo de uma situação da mais completa alienação:  “tudo desconhecia/ de sua grande missão”,  sem saber  “que a casa que ele fazia/ sendo a sua liberdade/ era a sua escravidão”.

Modelo de trabalho

Pessoal, para baixar o arquivo pra fazer o trabalho clique aqui

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Gente, o negócio tá mastigado, mas se mesmo assim alguém tiver dúvida de como preencher os campos aqui vão as instruções

Instruções para preencher os campos corretamente

Capa:

Campo E.E. coloque o nome da sua escola na frente (Fonte Times, negrito, 12, centralizado)

Campo Período preencha com o nome do período que você estuda: Manhã, Tarde ou Noite (Fonte Times, negrito, 12, centralizado)

Campo Série, preencha qual a série e turma que você pertence. Ex 3° TB ou 1° A (Fonte Times, negrito, 12, centralizado)

4° Campo Título do Trabalho: Substitua o texto “Título do Trabalho” pelo nome do seu trabalho, exemplo:  “Tudo como dantes no reino de Abrantes”  (Fonte Times, negrito, itálico, 24, centralizado)

Campos disciplina e prof° não precisam ser alterados

Campo Nome: Seu nome, lógico (Fonte Times, negrito, 12, alinhado á esquerda)

Campo N°: O seu n° de chamada (Fonte Times, negrito, 12, alinhado á esquerda)

Campo Data: Data da elaboração do seu trabalho, formato dd/mm/aaaa (Fonte Times, negrito, 12, alinhado á esquerda)

Folha do texto

Fonte Times, 12, alinhado á esquerda, o parágrafo já está acertado na folha.

Robinson Crusoé

“Andei sem rumo pela costa, pensando nos meus amigos, todos desaparecidos, com certeza mortos. O mar transformara-se em túmulo, além de carrasco.
Longe, mar adentro, o navio continuava imóvel, encalhado. Eu estava molhado, sem água e sem comida. Nos bolsos, apenas uma faca, um cachimbo e um pouco de tabaco. A noite avizinhava-se. Afastada da praia, encontrei uma pequena fonte de água doce. Matei a sede. Para enganar a fome, masquei um naco de fumo. Sem abrigo, sem armas e com medo de feras selvagens, subi numa árvore para passar a noite. Consegui encaixar o corpo cansado no meio de grossos galhos, sem perigo de cair durante o sono. Adormeci logo. (p.23) […]
O navio, trazido pela tempestade, havia se deslocado para um ponto bem próximo à praia. Continuava inteiro, sinal de que, se tivéssemos permanecido a bordo, estaríamos agora todos com vida. (p.23) […] Rapidamente fiz uma revista geral para ver o que podia salvar da carga. […] Já havia decidido trazer do navio todas as coisas possíveis de serem transportadas. Sabia não ter muito tempo: a primeira tempestade faria o barco em pedaços. (p. 25) […] Ia para bordo a nado e voltava sempre com uma nova jangada, aproveitando para salvar assim também o madeirante do navio. Consegui desse modo valiosas “riquezas” para um náufrago: machado, sacos de pregos, cordas, pedaços de pano encerado para vela, três pé-de-cabra, duas barricas com balas de mosquete, sete mosquetes, mais outra espingarda de atirar chumbo, uma caixa cheia de munições, o barril de pólvora molhada, roupas, uma rede, colchões e – surpresa! – na quinta ou sexta viagem, quando já acreditava não haver mais provisões a bordo, encontrei uma grande reserva de pão, três barris de rum e aguardentes, uma caixa de açúcar e um tonel de boa farinha… (p. 25-26) […]
Meu futuro não parecia tão bom… Na verdade prometia ser triste, com poucas esperanças de salvação. Sozinho, abandonado numa ilha deserta, desconhecida e fora das rotas de comércio, não alimentava a menor perspectiva de sair dali com vida. Já me via velho e cansado, passando fome, sem forças para nada: morreria aos poucos. Isto se eu não morresse antes, vítima de alguma tragédia.
Muitas vezes deixei-me levar pelo desânimo. Não foram poucas lágrimas que salgaram meu rosto. Nessas ocasiões, recriminava e maldizia a Deus. Como podia ele arruinar suas criaturas de modo tão mesquinho, tornando-as miseráveis, deixando-as ao completo abandono? (p. 29) […]
Depois de dez dias, fiquei com medo de perder a noção do tempo. Improvisei um rústico, mas eficiente calendário. […] Todos os dias, riscava no poste um pequeno traço. De sete em sete dias, fazia um risco maior para indicar o domingo. Para marcar o final do mês, eu traçava uma linha com o dobro do tamanho. Dessa forma, podia acompanhar o desenrolar dos dias, conseguindo situar-me no tempo.
Entre tantos objetos, havia trazido do navio tinta, papel e penas para escrever. E, enquanto a tinta durou, mantive um diário, relatando de forma resumida os principais fatos acontecidos. (p. 30) […] A falta de ferramentas adequadas tornava alguns serviços extremamente demorados. Mas, afinal, para que pressa? Eu não tinha todo o tempo do mundo? […] Também descobri que o homem pode dominar qualquer profissão que queira… Aos poucos, tratei de deixar mais confortável o meu jeito de viver. (p. 31) […]
Foi nessa época que fiquei doente, com febre, e tive alucinações. Vendo a morte muito próxima, fui incapaz de ordenar minhas idéias e coloca-las no papel. Hoje sei que esse período foi um dos piores da minha vida. A febre veio de mansinho. (p. 36) […] Num momento de lucidez, entre um ataque e outro de febre, lembrei-me de que, no Brasil, se usava fumo para curar a malária. E eu tinha, num dos caixotes, um pedaço de fumo em rolo e algumas folhas ainda não defumadas. Foi a mão de Deus que me guiou. Buscando o fumo, achei uma Bíblia, guardada no mesmo lugar.
O fumo curou-me a febre: não sabia como usá-lo, por isso tentei diversos métodos ao mesmo tempo. Masquei folhas verdes, tomei uma infusão de fumo em corda com rum, aspirei a fumaça de folhas queimadas no fogo. Não sei qual dos métodos deu resultado: talvez todos juntos. A verdade é que sarei em pouco tempo. A Bíblia foi um bom remédio para a alma. (p. 37) […]
Sempre quis conhecer a ilha inteira, ver cada detalhe dos meus domínios. Acreditei que tinha chegado a hora. Peguei minha arma, uma machadinha, uma quantidade grande de pólvora e munições, uma porção razoável de comida e pus-me a caminho, acompanhado de meu cão… (p. 42) […] Na volta, apanhei um filhote de papagaio. Os colonos brasileiros costumavam domesticá-las e ensina-los a falar. Pensei em seguir-lhes o exemplo. (p. 43) […]
Foi no início da estação das chuvas. Passando perto da paliçada, num canto em que o rochedo projetava sua sombra, meus olhos fixaram-se em pequenos brotos germinando. Nunca tinha visto aquelas plantinhas ali. Curioso, aproximei-me e acreditei estar presenciando um milagre: uma ou duas dúzias de pezinhos de milho surgiam da terra. Era milho e da melhor espécie, não havia dúvida. (p. 32) […] Reconhecido, agradeci à Divina Providência por mais esse cuidado. Só passado algum tempo é que me lembrei de um fato acontecido dias antes. Precisava de algo para guardar restos de pólvora. Procurando no depósito da caverna, achei um velho saco de estopa. Pelos vestígios, no passado servira para armazenar grãos: no seu fundo havia cascas e migalhas de cereais. Para limpar o saco, sacudi esses restos num canto, perto da cerca: milagrosamente haviam germinado! (p. 33) […]
Precisava de algo para moer o milho e transforma-lo em farinha. Sem instrumentos para fazer um pilão de uma pedra, fiz um de madeira, usando a mesma técnica que os índios brasileiros empregavam na confecção de suas canoas: queimavam a madeira, escavando-a, a seguir, com a plaina. […]
Poll, meu papagaio, aprendera a falar e acompanhava-me aonde quer que eu fosse. Fazia-me bem ouvir outra voz além da minha: pena não ser de algum homem.” (p. 54)

DEFOE, Daniel. Robinson Crusoé – A conquista do mundo em uma ilha. Adaptação em português de Werner Zotz.
São Paulo: Scipione, 1986. Série Reencontro.

Aula do 3° Ano

Introdução
Cidadão e cidadania

O termo cidadão remonta a antiguidade clássica por volta do século IX a.C.

Grécia:
Os cidadãos eram os membros da comunidade que detinham o privilégio de participar integralmente de todo o ciclo de vida cotidiana da cidade-Estado, decisões políticas, elaboração de regras, festividades, rituais religiosos e vida pública.

Não eram considerados cidadãos:
– Estrangeiros residentes
– Periecos (habitantes próximos) e hilotas (servos ligados a terra)
– Os escravos
– Mulheres
Autoridade da cidade-Estado era concentrada entre os cidadãos mais velhos

Roma:
Para os romanos, a cidadania, não era o conjunto de idéias a ser defendidos, mas sim o próprio Estado romano.
Ser cidadão era um privilégio reservado aos grandes proprietários rurais que detinham o monopólio de cargos públicos e religiosos.

Não eram considerados cidadãos:
– Escravos e os clientes

Na época do Estado romano houve a ampliação dos direitos ligados a cidadania ligados a Plebe que era a classe mais baixa dessa sociedade, dentre eles podemos destacar:

– Propriedade da terra conquistada
– Fim da escravidão por dívidas
– Cargos públicos e votos no senado

A cidadania nos Estados nacionais contemporâneos é um fenômeno único na história.

Ideais de democracia e participação popular e de liberdade do individuo foram resgatados da antiguidade.

Iluminismo

Direitos civis Séc XVIII
Direitos políticos e sociais Séc XIX
Direitos humanos Séc XX

Teóricos do Iluminismo como John Locke, Voltaire e Rousseau lançaram bases para a percepção moderna da relação entre Estado e indivíduos.
Essa não deveria ser mais uma relação de súditos, mas sim de indivíduos dotados de razão que possuem direitos “naturais”

Locke (1632-1704) – Para Todos os homens são iguais, independentes e governados pela razão
No estado natural iriam preservar a paz e a humanidade evitando ferir os direitos dos outros. A fim de evitar vantagens pessoais criaram o contrato social entre homens igualmente livres.

Voltaire (1664-1778) – Defendia a liberdade de expressão, de associação e de opção religiosa. Crítico da Monarquia defendia o livre comércio contra o controle do Estado na economia.

Rousseau (1712-1778) – Liberdade é um bem supremo, renunciá-la é renunciar a própria humanidade, o contrato social é a expressão da vontade geral, corpo moral e coletivo dos cidadãos. O homem adquire liberdade obedecendo as leis feitas por ele mesmo.

Direitos  Civis

A História da luta pelos direitos civis pode ser identificada em 1689 com a “carta de direitos” promulgada pelo parlamento inglês, onde os cidadãos passaram de súditos do rei a sujeitos ativamente políticos.

Outros dois fatos foram relevantes nesse período

Revolução Americana 1776 => Declaração de Independência dos EUA
Revolução Francesa 1789 => Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão

Direitos políticos

Revolução Francesa 1789, derrubou a Monarquia Absolutista, estendeu o direito de voto as cidadãos ativos
Revoluções Inglesas 1640 e 1688, limitaram o poder do rei com a criação da Monarquia Constitucional
Revolução Americana 1776, estabeleceu divisão de poderes e, até então, formalmente era a mais democrática
Entre os direitos conquistados estavam o de votar e ser votado, eleger representantes, constituir assembléias, formar partidos, tomar decisões, elaborar leis e constituições.

Direitos sociais

Foram conquistados a partir da primeira revolução industrial
Organização da classe operária na luta pelo direito a greve, de se reunir em sindicatos e de regulamentar a jornada de trabalho

Direitos humanos

Após a segunda guerra mundial a ONU promulgou a Declaração Universal dos Direitos Humanos
Se tornou marco na defesa dos direitos humanos