
CHICAGO, ESTADOS UNIDOS, 1886. ERA 1º MAIO. MILHARES TRABALHADORES ESTAVAM NAS RUAS.
As condições de trabalho, os baixos salários e a exploração do trabalho infantil e feminino nas fábricas estadunidense, em meados do século XIX, repetiam o modelo de organização e exploração do trabalho na Europa, sobretudo da Inglaterra. A repressão violenta pela polícia era o meio mais freqüente encontrado e utilizado pelos patrões donos das fábricas, contra os protestos e greves. Nada de diálogo frente às reivindicações, estas nem eram ouvidas, nem negociadas. A jornada de trabalho chegava a doze, quatorze horas por dia. Como os salários eram péssimos, e não davam para as despesas cotidianas, as crianças, filhos dos trabalhadores eram encaminhadas aos 7, 8 ou 9 anos de idade para o trabalho duro, se submetendo as mesmas condições e jornadas dos trabalhadores adultos. Nessa época, as primeiras organizações operárias passaram a reivindicar a redução da jornada para oito horas diárias, e quatro aos domingos e o fim do trabalho infantil. Os patrões irredutíveis só se dispunham a discutir a reivindicação se os trabalhadores aceitassem a redução da metade do salário. Em 1885, é criada a federação dos sindicatos e, sua primeira resolução é organizar uma Greve Geral em todo o país no dia 1º de maio do ano seguinte-1886. No dia marcado a paralisação transcorre normalmente. Em Chicago, 350 mil operários das fábricas cruzaram os braços. No dia seguinte, a polícia entra em choque com os grevistas, assassinando nove operários, numa cidadezinha próxima de Chicago. Dia 3, mais quatro grevistas são mortos. Em resposta, é convocado, para o outro dia, quatro de maio, um grande ato público, que ocorre na Praça do Mercado de Feno no centro de Chicago. Às 16h o último orador, Samuel Fielden, iniciava seu discurso, quando o chefe da polícia exigiu que ele descesse do palanque. Em meio à confusão, uma bomba explode, a polícia abriu fogo, assassinando outros oitenta operários. io, um grande ato publico 8 ou 9 anos de idade para o trabalho duro, se submetendo as mesm
A REPRESSÃO CONTINUOU: PRISÕES E MORTES
A policia de Chicago iniciou imediatamente a caça aos líderes d a greve. Augusto Spies, Albert Pratson, Adolph Fisher, George Engal, Luis Lingg, Miguel Schuwab, Oscar, Neebe e Samuel Fielden são presos. Em 1887 cinco deles são condenados à morte, os outros três à prisão perpétua. No dia 11 de novembro quatro são enforcados, o quinto morre ainda na prisão.
DIA INTERNACIONAL DO TRABALHO
Dois anos mais tarde- 1889, a Segunda Internacional decide proclamar o 1º de Maio com dia do trabalhador. A partir daquele ano, este dia é marcado por manifestações por todo o mundo, se tornando um dia de luta.
NO BRASIL
No Brasil as atividades só irão acontecer após a primeira década do século XX, quando se iniciava a formação da classe operária, repetindo as mesmas condições precárias dos trabalhadores americanos e europeus do século XlX. Há registro de indústrias têxtil, totalmente adaptadas para o trabalho infantil, como o cotonifício Maria Ângela do grupo Matarazzo.As jornadas diárias passavam de doze horas. Com muita luta ao longo do século passado, consegui-se a proibição do trabalho infantil, assim como a redução da jornada, não faltando mortes pela repressão também no Brasil.
A situação de alienação pela qual passamos nós trabalhadores faz com que o produto do nosso trabalho se torne algo estranho e independente daquele que é o seu autor, transformando-se em algo distante e em certas ocasiões até com vida própria (coisa que seria impossível sem o trabalho humano). A propriedade privada (isto é, a aquisição de qualquer coisa por uma determinada pessoa) é resultado do trabalho de uma pessoa e ao mesmo tempo o meio de alienação do trabalhador. “De fato, como podia / Um operário em construção / Compreender por que um tijolo / Valia mais do que um pão? / Tijolos ele empilhava / Com pá, cimento e esquadria / Quanto ao pão, ele o comia… / Mas fosse comer tijolo!”. O trabalhador se distancia daquilo que é resultado do seu esforço, não se dando conta de que aquilo que ele faz é parte dele mesmo. O fim dessa alienação começa, quando o operário começa a tomar consciência: quando acordou foi tomado “de uma súbita emoção” ao constatar que era ele que fazia todas as coisas: garrafa, prato, facão, “gamela/ banco, enxerga, caldeirão,/ vidro, parede, janela,/ casa, cidade, nação”. Não apenas os objetos de uso cotidiano, como roupas, alimentos, casa, mas também instituições (cidade, nação), e o próprio operário, resultam do trabalho (uma coisa muito lógica, mas até então imperceptível aos olhos daquele operário). “Foi dentro dessa compreensão / Desse instante solitário / Que, tal sua construção / Cresceu também o operário / Cresceu em alto e profundo / Em largo e no coração / E como tudo que cresce / Ele não cresceu em vão / Pois alem do que sabia / – Exercer a profissão – / O operário adquiriu / Uma nova dimensão: / A dimensão da poesia.” E nesse momento ele passa do estado de alienação começa o seu processo de conscientização. A consciência do operário sai dos limites do real, do presente e atravessa os limites das possibilidades.
“O operário em construção” de Vinícius de Moraes escrito há mais de 50 anos, relata o trabalho de um sujeito (no caso um operário da construção civil) como base da vida humana; ele descreve o processo de conscientização de um operário, partindo de uma situação da mais completa alienação: “tudo desconhecia/ de sua grande missão”, sem saber “que a casa que ele fazia/ sendo a sua liberdade/ era a sua escravidão”.

